Gastos com apostas ameaçam a graduação de 2 milhões de pessoas
O dinheiro gasto em apostas online está saindo do orçamento da educação. Levantamentos divulgados em 24 de setembro de 2026 estimam que cerca de 2 milhões de brasileiros têm a trajetória acadêmica ameaçada por esse tipo de despesa. Os dados vêm de pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) em parceria com a Educa Insights, e de um estudo separado do Instituto Semesp.
Entenda
As pesquisas ouviram instituições privadas de ensino superior e estudantes, buscando medir o impacto financeiro das apostas sobre o ingresso e a permanência na graduação. Os principais números:
- 986 mil possíveis ingressantes podem desistir de entrar na graduação em 2026 por causa de gastos com apostas
- 14% dos estudantes atuais relataram atrasar o pagamento da mensalidade ou abandonar o curso
- 19,1% das instituições privadas ouvidas observaram relação entre apostas online e endividamento de estudantes
Os levantamentos não afirmam que as apostas são a causa isolada do problema. A conclusão é mais cuidadosa: os gastos com bets "podem se somar a esses fatores e comprometer o orçamento destinado à educação", ou seja, entram como uma pressão adicional sobre orçamentos familiares que já eram apertados. O efeito é descrito como uma barreira extra ao acesso e à conclusão do ensino superior, com peso maior sobre quem depende de programas como Prouni e Fies.
Por que isso importa
Quando se discute evasão no ensino superior, as explicações usuais são desemprego, dificuldade de conciliar trabalho e estudo, e reajuste de mensalidade. Esses dados acrescentam um item que raramente aparece nos diagnósticos — e que, ao contrário dos outros, atinge diretamente o dinheiro que sobraria para pagar o curso.
Para escolas de ensino médio, o alerta chega antes: parte desses quase 1 milhão de ingressantes que podem não se matricular está hoje no 3º ano. Educação financeira deixou de ser conteúdo abstrato de matemática aplicada e passou a ser conversa sobre uma decisão que esses jovens estão tomando agora, com efeito direto sobre a chance de cursarem uma graduação.
Para famílias, o número mais concreto é o de 14% dos estudantes que já atrasaram mensalidade ou saíram do curso. E para as instituições e para quem formula política pública, o dado sugere que programas de permanência precisam considerar um fator de endividamento que não existia no desenho original do Prouni e do Fies.
Vale a ressalva: são estimativas de entidades do setor privado, baseadas em declarações de instituições e estudantes, não em dados administrativos de matrícula.
Fonte: Ministério da Educação, publicada em 24/09/2026.